Perfil do Apostador Português em 2025: Idade, Gastos e Hábitos Segundo o SRIJ
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Quem aposta online em Portugal? A resposta instintiva – “homens jovens que gostam de futebol” – não está errada, mas é incompleta e está a mudar. Portugal tem 1,23 milhões de apostadores ativos, um número que cresceu 12% face a 2024. Por trás desse número há um perfil demográfico que os dados do SRIJ revelam com uma clareza que raramente encontro nos artigos que se limitam a listar casas de apostas e bónus. Vou partilhar o que os números dizem – e o que significam para quem aposta.
Idade e género: o perfil está a mudar
Há três anos, se me dissessem que a percentagem de mulheres no jogo online ia crescer significativamente, teria sido cético. Mas os números não mentem. A percentagem masculina desceu de 92% em 2022 para 85% em 2025. Sete pontos percentuais em três anos é uma mudança substancial que indica que o jogo online está a deixar de ser um território exclusivamente masculino.
A faixa etária dominante é a dos 25 a 34 anos, que representa 34,3% de todos os jogadores registados. Se alargarmos para os menores de 45 anos, a fatia sobe para 77,8%. O apostador português típico é, portanto, alguém na casa dos 20 ou 30 anos, com acesso fácil a tecnologia e confortável com transações digitais. Não é coincidência que o MB Way seja o método de pagamento preferido – esta geração cresceu com o telemóvel na mão.
O que estes dados sugerem para o apostador individual é simples: se está na faixa dos 25-34, está no grupo maioritário. As casas de apostas desenham os produtos, as interfaces, e os bónus a pensar em si. Se tem mais de 45 anos, pode sentir que as plataformas não são pensadas para o seu perfil – e provavelmente tem razão. Mas isso não significa que as oportunidades de valor sejam menores; significa apenas que a experiência de utilizador pode exigir mais adaptação.
A mudança na composição de género é igualmente significativa. Quando 15% dos apostadores são mulheres – contra 8% há apenas três anos – estamos perante uma tendência que os operadores já começaram a refletir na comunicação e no design das plataformas. Os bónus e as promoções continuam a ser predominantemente orientados para futebol e desportos tradicionalmente masculinos, mas o aumento da participação feminina poderá diversificar a oferta nos próximos anos.
Quanto gasta e com que frequência joga o apostador português
Ricardo Domingues, presidente da APAJO, resumiu numa frase o que os dados do primeiro semestre de 2025 mostravam: uma tendência de desaceleração de crescimento no mercado, justificada pelo amadurecimento do mesmo. E os hábitos dos apostadores confirmam esse amadurecimento – o perfil é mais moderado do que a imagem pública sugere.
70% dos jogadores gastam até 50 euros por mês. A grande maioria joga até uma vez por semana. São números que descrevem um comportamento de entretenimento, não de compulsão. O apostador típico coloca uma ou duas apostas ao fim de semana, gasta o equivalente a um jantar fora, e segue com a sua vida. É um perfil muito diferente do estereótipo do jogador que passa horas colado ao ecrã a perseguir perdas.
Outro dado revelador: 79% dos jogadores dizem estar satisfeitos ou muito satisfeitos com as plataformas licenciadas. E 60,3% apostam exclusivamente em operadores legais – uma percentagem que subiu de 44% em 2019. O mercado regulado está a ganhar a confiança dos apostadores, mas ainda há 40% que usam plataformas ilegais, o que mostra que o trabalho de sensibilização e competitividade está longe de terminado.
Porto, Lisboa e o resto do país: distribuição geográfica
Se me perguntassem onde se concentram os apostadores sem ver os dados, teria dito Lisboa. Os dados do SRIJ dizem outra coisa: o Porto lidera com 21,2% dos apostadores, seguido de Lisboa com 20,7%. A diferença é marginal, mas simbólica – o Norte aposta tanto ou mais que a capital.
Depois de Porto e Lisboa, seguem-se Braga, Setúbal e Aveiro. A distribuição acompanha, grosso modo, a densidade populacional, mas com uma nuance: as cidades com maior tradição futebolística tendem a ter mais apostadores per capita. Não é um dado científico – é uma observação que faço ao cruzar a geografia das apostas com o mapa dos clubes da Liga Portugal.
Há também um dado interessante sobre nacionalidade: no terceiro trimestre de 2025, a nacionalidade brasileira representava 48,5% dos registos de jogadores estrangeiros. Quase metade dos estrangeiros que se registam nas casas de apostas portuguesas são brasileiros – um reflexo da comunidade brasileira em Portugal e da familiaridade com o jogo online que muitos já trazem do Brasil, onde o mercado explodiu nos últimos anos.
Para os operadores, a presença da comunidade brasileira é um fator comercial relevante. Muitos jogadores brasileiros chegam a Portugal com experiência de apostas mas sem conhecimento do mercado regulado local – o SRIJ, os operadores licenciados, as regras específicas portuguesas. Isto cria um público que sabe apostar mas que pode não saber distinguir um operador legal de um ilegal em Portugal, o que reforça a importância da informação sobre licenciamento e proteção.
Estes dados demográficos não são apenas curiosidades – são informação útil para quem aposta. Se a maioria dos apostadores aposta pouco e com pouca frequência, e se os operadores desenham os bónus a pensar nesse perfil, é provável que as condições de rollover e os prazos sejam calibrados para um apostador que gasta 50 euros por mês, não 500. Perceber isto ajuda a avaliar realisticamente se um bónus compensa ou não. E se quer perceber como estes números se traduzem na realidade do mercado, consulte o nosso guia sobre as casas de apostas legais com licença SRIJ.
