4,72 Milhões de Contas Registadas: A Evolução do Jogo Online em Portugal
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Portugal tem 4,72 milhões de contas registadas em casas de apostas e casinos online, mas apenas 1,23 milhões de apostadores ativos. São números que, à primeira vista, parecem contraditórios. Como é que um país com 10 milhões de habitantes tem quase 5 milhões de contas de jogo, mas só 1,2 milhões de utilizadores ativos? A resposta está na diferença entre registar e jogar – e é uma distinção que revela muito sobre como o mercado funciona e como os apostadores se comportam.
Evolução do número de contas desde a regulação
O mercado de jogo online em Portugal foi regulado em 2015, e desde então o número de contas registadas cresceu de forma consistente. Os 1,23 milhões de apostadores ativos representam um crescimento de 12% face a 2024, mas o número total de contas registadas – 4,72 milhões – inclui toda a história acumulada desde o início da regulação.
O que estes números mostram é uma curva típica de adoção: nos primeiros anos, o crescimento de novos registos foi exponencial. Os operadores entraram no mercado com bónus agressivos, campanhas de publicidade massivas, e a novidade atraiu milhões de curiosos. Muitos registaram-se, usaram o bónus de boas-vindas, e nunca mais voltaram. Outros registaram-se mas nunca chegaram a depositar – ficaram na fase de exploração da plataforma sem dar o passo seguinte.
O ritmo de novos registos estabilizou nos últimos dois anos, o que é expectável num mercado que já atingiu uma penetração significativa. Com quase metade da população adulta a ter pelo menos uma conta registada (mesmo que inativa), o espaço para crescimento de novos registos é limitado. O foco dos operadores tem-se deslocado da aquisição de novos utilizadores para a reativação de contas dormentes e o aumento do valor por utilizador ativo.
Contas ativas vs. registadas: porque a diferença é tão grande
A diferença entre 4,72 milhões de contas e 1,23 milhões de apostadores ativos significa que 74% das contas estão inativas. Três em cada quatro contas não registam atividade. Este rácio é normal em praticamente todos os mercados de jogo online do mundo, e as razões são previsíveis.
A primeira razão é o bónus de boas-vindas: muitos utilizadores registam-se exclusivamente para usar a oferta de registo, e depois abandonam a plataforma. Se o bónus era uma freebet de 10 euros sem depósito, o utilizador usou-a, ganhou ou perdeu, e não encontrou razão para depositar dinheiro real.
A segunda razão é a multiplicidade de contas. Em Portugal, 60,3% dos jogadores apostam exclusivamente em plataformas licenciadas, e é comum ter conta em dois ou três operadores mas usar ativamente apenas um. As contas nos outros operadores ficam dormentes – registadas, verificadas, mas sem atividade.
A terceira razão é a desistência natural. Apostar é entretenimento, e como qualquer entretenimento, tem ciclos. Há utilizadores que apostam intensamente durante um Europeu ou um Mundial e depois passam meses sem atividade. Há quem comece por curiosidade e descubra que não gosta. As contas ficam abertas – não há incentivo para as encerrar – mas o utilizador não volta.
Para os operadores, este universo de contas inativas é uma mina de ouro potencial. Cada conta inativa é um utilizador que já passou pelo processo de registo e verificação – a barreira mais difícil. Reativá-lo com uma promoção personalizada, uma freebet, ou uma comunicação no momento certo é muito mais fácil (e barato) do que adquirir um utilizador novo de raiz.
Há também uma implicação estatística que merece atenção: quando se vê que Portugal tem 4,72 milhões de contas registadas, é tentador concluir que quase metade da população adulta joga online. A realidade é diferente. Muitas dessas contas pertencem às mesmas pessoas – alguém que se registou em três operadores diferentes para usar três bónus de boas-vindas conta como três registos, não como três jogadores. O número real de indivíduos que alguma vez se registaram é necessariamente inferior a 4,72 milhões, embora o SRIJ não publique essa desduplicação.
Outro fator: as contas não são encerradas automaticamente. Um utilizador que se registou em 2016 e nunca mais voltou continua a contar como conta registada. Os 4,72 milhões são um total acumulado desde o início da regulação, não um retrato do número atual de jogadores com interesse no jogo online.
Registos de jogadores estrangeiros: o peso do Brasil
No terceiro trimestre de 2025, a nacionalidade brasileira representava 48,5% dos registos de jogadores estrangeiros. É um número impressionante, mas não surpreendente. A comunidade brasileira em Portugal é a maior comunidade estrangeira no país, e o jogo online é uma atividade com forte penetração no Brasil – onde o mercado de apostas desportivas explodiu nos últimos anos com a regulação (ou falta dela) e a entrada massiva de operadores.
Muitos brasileiros que se registam nas casas de apostas portuguesas já têm experiência com apostas no Brasil. Conhecem os mercados, percebem odds, e estão familiarizados com plataformas de jogo. O que pode ser novo é o enquadramento regulatório – o SRIJ, a lista de operadores licenciados, e as regras específicas de Portugal. Para este público, a informação sobre legalidade e proteção do jogador é particularmente relevante.
Há também um fluxo crescente de registos de outras nacionalidades – angolanos, franceses, e britânicos residentes em Portugal são os seguintes na lista. A internacionalização dos registos reflete a internacionalização da população portuguesa e a atratividade de Portugal como país de residência, especialmente desde o programa de vistos gold e o regime de residente não habitual. Se quer perceber quem são os apostadores em Portugal e como o perfil está a mudar, o nosso guia sobre o perfil do apostador português detalha os dados demográficos do SRIJ.
